Luxação da patela
A patela escapa do sulco do fêmur onde desliza, quase sempre para o lado de fora. Acontece com mais frequência em adolescentes e adultos jovens, muitas vezes em um giro do corpo, sem pancada nenhuma.

Sintomas mais comuns
- 01Sensação nítida de que algo saiu do lugar no joelho
- 02Deformidade visível na frente do joelho enquanto a patela está deslocada
- 03Inchaço grande nas primeiras horas, por sangramento dentro da articulação
- 04Medo de apoiar a perna e de repetir o movimento depois do episódio
O que acontece na luxação da patela
A patela desliza dentro de um sulco na frente do fêmur, chamado tróclea, sempre que o joelho dobra e estica. Na luxação ela sai desse sulco, quase sempre para o lado de fora, e o joelho fica momentaneamente travado numa posição estranha.
Muitas vezes a patela volta sozinha quando a pessoa estica a perna, e algumas descrevem apenas a sensação de que o joelho saiu e voltou. Isso é chamado de subluxação quando a saída é parcial.
No caminho, o ligamento patelofemoral medial costuma se romper. Ele é a principal estrutura que segura a patela contra o deslocamento lateral, e sua lesão está presente na grande maioria dos primeiros episódios.
Quem tem mais risco
- Adolescentes e adultos jovens, com pico entre 10 e 20 anos
- Displasia troclear, quando o sulco do fêmur é mais raso que o normal
- Patela alta, posicionada acima do ponto em que ela entraria no sulco cedo
- Frouxidão ligamentar generalizada
- Alinhamento com o joelho voltado para dentro e distância aumentada entre a tuberosidade da tíbia e a tróclea
Esses fatores explicam por que uma parte das pessoas luxa a patela em um movimento banal, como girar para pegar algo, enquanto outras só luxam em um trauma esportivo direto.
Diagnóstico e avaliação
Quando a patela ainda está deslocada, o diagnóstico é visível. Depois que ela volta ao lugar, o que orienta é a história do episódio, o inchaço com sangue dentro da articulação, a dor à palpação da borda interna da patela e o teste de apreensão, em que a pessoa reage ao empurrão lateral da patela.
O raio-X é feito para descartar fratura e avaliar a forma da tróclea e a altura da patela. A ressonância mostra a lesão do ligamento patelofemoral medial, as contusões ósseas típicas e, sobretudo, se algum fragmento de cartilagem ou osso se soltou dentro da articulação.
Tratamento
No primeiro episódio sem fragmento solto, o tratamento costuma ser sem cirurgia. A prioridade é controlar o inchaço, recuperar movimento e devolver força ao quadríceps e ao quadril antes de retomar atividades de risco.
- 01Redução da luxação, se a patela não voltou sozinha, feita por profissional de saúde
- 02Fase inicial com controle de dor e inchaço, apoio conforme tolerância e uso de órtese por algumas semanas
- 03Recuperação da amplitude completa, evitando imobilização longa que enrijece o joelho
- 04Fortalecimento de quadríceps, glúteos e controle do joelho em agachamento e descida de degrau
- 05Retorno ao esporte guiado por força e confiança, geralmente entre 2 e 4 meses
Em episódios repetidos, a cirurgia entra em discussão. A reconstrução do ligamento patelofemoral medial é o procedimento mais usado, às vezes combinada a correções ósseas quando existe displasia importante, patela alta ou desalinhamento marcado.
Risco de repetir
Depois de um primeiro episódio tratado sem cirurgia, uma parcela relevante das pessoas volta a luxar, e as séries publicadas mostram taxas que variam bastante conforme o perfil estudado. O risco é maior em quem luxou antes dos 18 anos, tem displasia troclear ou patela alta.
Quem já luxou duas vezes tem chance bem maior de um terceiro episódio, e essa é uma das razões pelas quais a cirurgia costuma ser proposta a partir da recidiva. A decisão leva em conta os fatores anatômicos de cada joelho, não só o número de episódios.
Quando procurar avaliação
- A patela continua fora do lugar ou o joelho está deformado
- Não é possível esticar o joelho ou apoiar o peso
- Inchaço intenso nas primeiras horas depois do episódio
- Sensação de travamento depois que a patela voltou, o que pode indicar fragmento solto
Perguntas frequentes
A patela saiu do lugar e voltou sozinha, preciso ir ao médico?
Sim, vale avaliar. Mesmo quando a patela retorna sozinha, é comum haver lesão do ligamento patelofemoral medial e, em parte dos casos, um fragmento de cartilagem solto dentro do joelho. A avaliação define se basta reabilitação ou se há indicação cirúrgica.
Luxação de patela precisa de cirurgia?
No primeiro episódio, em geral não, desde que não haja fragmento osteocondral solto. A reabilitação é o caminho inicial. A cirurgia costuma ser proposta em luxações repetidas ou quando a anatomia do joelho favorece muito o deslocamento.
Quanto tempo leva para voltar ao esporte depois de uma luxação da patela?
Sem cirurgia, o retorno costuma acontecer entre 2 e 4 meses, guiado por força e confiança na perna. Depois de reconstrução do ligamento patelofemoral medial, o prazo em geral fica entre 6 e 9 meses.
Luxação da patela dói muito?
O momento do deslocamento costuma ser bastante doloroso, e o joelho incha rápido nas horas seguintes. Depois que a patela volta ao lugar, a dor tende a diminuir bem, e o que mais incomoda passa a ser o inchaço e o receio de repetir o movimento.
Dá para prevenir uma nova luxação da patela?
Fortalecimento de quadríceps e quadril, trabalho de controle do joelho em movimentos de giro e progressão cuidadosa na volta ao esporte reduzem o risco. Fatores anatômicos como displasia troclear não mudam com exercício, e por isso alguns casos acabam sendo cirúrgicos.
Luxação da patela é a mesma coisa que luxação do joelho?
Não. A luxação da patela envolve só a patela saindo do sulco do fêmur. A luxação do joelho é o deslocamento entre fêmur e tíbia, uma lesão rara e grave, com múltiplos ligamentos rompidos e risco vascular, que exige atendimento de emergência.