Patela

Luxação da patela

A patela escapa do sulco do fêmur onde desliza, quase sempre para o lado de fora. Acontece com mais frequência em adolescentes e adultos jovens, muitas vezes em um giro do corpo, sem pancada nenhuma.

Revisão: equipe editorialAtualizado: ago. de 2026Leitura: 8 min

Sintomas mais comuns

  1. 01Sensação nítida de que algo saiu do lugar no joelho
  2. 02Deformidade visível na frente do joelho enquanto a patela está deslocada
  3. 03Inchaço grande nas primeiras horas, por sangramento dentro da articulação
  4. 04Medo de apoiar a perna e de repetir o movimento depois do episódio

O que acontece na luxação da patela

A patela desliza dentro de um sulco na frente do fêmur, chamado tróclea, sempre que o joelho dobra e estica. Na luxação ela sai desse sulco, quase sempre para o lado de fora, e o joelho fica momentaneamente travado numa posição estranha.

Muitas vezes a patela volta sozinha quando a pessoa estica a perna, e algumas descrevem apenas a sensação de que o joelho saiu e voltou. Isso é chamado de subluxação quando a saída é parcial.

No caminho, o ligamento patelofemoral medial costuma se romper. Ele é a principal estrutura que segura a patela contra o deslocamento lateral, e sua lesão está presente na grande maioria dos primeiros episódios.

Quem tem mais risco

  • Adolescentes e adultos jovens, com pico entre 10 e 20 anos
  • Displasia troclear, quando o sulco do fêmur é mais raso que o normal
  • Patela alta, posicionada acima do ponto em que ela entraria no sulco cedo
  • Frouxidão ligamentar generalizada
  • Alinhamento com o joelho voltado para dentro e distância aumentada entre a tuberosidade da tíbia e a tróclea

Esses fatores explicam por que uma parte das pessoas luxa a patela em um movimento banal, como girar para pegar algo, enquanto outras só luxam em um trauma esportivo direto.

Diagnóstico e avaliação

Quando a patela ainda está deslocada, o diagnóstico é visível. Depois que ela volta ao lugar, o que orienta é a história do episódio, o inchaço com sangue dentro da articulação, a dor à palpação da borda interna da patela e o teste de apreensão, em que a pessoa reage ao empurrão lateral da patela.

O raio-X é feito para descartar fratura e avaliar a forma da tróclea e a altura da patela. A ressonância mostra a lesão do ligamento patelofemoral medial, as contusões ósseas típicas e, sobretudo, se algum fragmento de cartilagem ou osso se soltou dentro da articulação.

Tratamento

No primeiro episódio sem fragmento solto, o tratamento costuma ser sem cirurgia. A prioridade é controlar o inchaço, recuperar movimento e devolver força ao quadríceps e ao quadril antes de retomar atividades de risco.

  1. 01Redução da luxação, se a patela não voltou sozinha, feita por profissional de saúde
  2. 02Fase inicial com controle de dor e inchaço, apoio conforme tolerância e uso de órtese por algumas semanas
  3. 03Recuperação da amplitude completa, evitando imobilização longa que enrijece o joelho
  4. 04Fortalecimento de quadríceps, glúteos e controle do joelho em agachamento e descida de degrau
  5. 05Retorno ao esporte guiado por força e confiança, geralmente entre 2 e 4 meses

Em episódios repetidos, a cirurgia entra em discussão. A reconstrução do ligamento patelofemoral medial é o procedimento mais usado, às vezes combinada a correções ósseas quando existe displasia importante, patela alta ou desalinhamento marcado.

Risco de repetir

Depois de um primeiro episódio tratado sem cirurgia, uma parcela relevante das pessoas volta a luxar, e as séries publicadas mostram taxas que variam bastante conforme o perfil estudado. O risco é maior em quem luxou antes dos 18 anos, tem displasia troclear ou patela alta.

Quem já luxou duas vezes tem chance bem maior de um terceiro episódio, e essa é uma das razões pelas quais a cirurgia costuma ser proposta a partir da recidiva. A decisão leva em conta os fatores anatômicos de cada joelho, não só o número de episódios.

Quando procurar avaliação

  • A patela continua fora do lugar ou o joelho está deformado
  • Não é possível esticar o joelho ou apoiar o peso
  • Inchaço intenso nas primeiras horas depois do episódio
  • Sensação de travamento depois que a patela voltou, o que pode indicar fragmento solto

Perguntas frequentes

A patela saiu do lugar e voltou sozinha, preciso ir ao médico?

Sim, vale avaliar. Mesmo quando a patela retorna sozinha, é comum haver lesão do ligamento patelofemoral medial e, em parte dos casos, um fragmento de cartilagem solto dentro do joelho. A avaliação define se basta reabilitação ou se há indicação cirúrgica.

Luxação de patela precisa de cirurgia?

No primeiro episódio, em geral não, desde que não haja fragmento osteocondral solto. A reabilitação é o caminho inicial. A cirurgia costuma ser proposta em luxações repetidas ou quando a anatomia do joelho favorece muito o deslocamento.

Quanto tempo leva para voltar ao esporte depois de uma luxação da patela?

Sem cirurgia, o retorno costuma acontecer entre 2 e 4 meses, guiado por força e confiança na perna. Depois de reconstrução do ligamento patelofemoral medial, o prazo em geral fica entre 6 e 9 meses.

Luxação da patela dói muito?

O momento do deslocamento costuma ser bastante doloroso, e o joelho incha rápido nas horas seguintes. Depois que a patela volta ao lugar, a dor tende a diminuir bem, e o que mais incomoda passa a ser o inchaço e o receio de repetir o movimento.

Dá para prevenir uma nova luxação da patela?

Fortalecimento de quadríceps e quadril, trabalho de controle do joelho em movimentos de giro e progressão cuidadosa na volta ao esporte reduzem o risco. Fatores anatômicos como displasia troclear não mudam com exercício, e por isso alguns casos acabam sendo cirúrgicos.

Luxação da patela é a mesma coisa que luxação do joelho?

Não. A luxação da patela envolve só a patela saindo do sulco do fêmur. A luxação do joelho é o deslocamento entre fêmur e tíbia, uma lesão rara e grave, com múltiplos ligamentos rompidos e risco vascular, que exige atendimento de emergência.

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