Condromalácia patelar
Amolecimento e desgaste da cartilagem atrás da patela. É uma das causas mais comuns de dor na frente do joelho, principalmente ao subir escada, agachar ou depois de muito tempo sentado.

Sintomas mais comuns
- 01Dor na frente do joelho, atrás ou ao redor da patela
- 02Piora ao subir e descer escada, agachar ou ajoelhar
- 03Dor depois de muito tempo sentado, o chamado sinal do cinema
- 04Sensação de areia ou estalos ao dobrar o joelho
O que é a condromalácia patelar
A cartilagem que reveste a parte de trás da patela funciona como amortecedor entre a patela e o fêmur. Na condromalácia essa cartilagem amolece e sofre alterações progressivas, de pequenas fissuras superficiais até áreas em que o osso fica exposto.
O termo aparece muito em laudo de ressonância, às vezes escrito como condropatia patelar. As duas palavras descrevem a mesma coisa. Condropatia é o termo mais amplo, condromalácia enfatiza o amolecimento.
Vale saber de antemão: o achado do exame nem sempre explica a dor. Estudos de imagem em pessoas sem queixa nenhuma encontram alterações de cartilagem em uma parcela grande dos joelhos. Um grau alto no laudo não significa, por si só, um problema grave.
Por que acontece
Na maior parte dos casos não existe uma causa única. O que se vê é uma soma de fatores que aumentam a pressão entre a patela e o fêmur ou reduzem a capacidade do joelho de tolerar essa pressão.
- Aumento rápido de carga: começar a correr, subir volume de treino ou voltar à academia depois de meses parado
- Fraqueza de quadríceps, glúteo médio e musculatura do quadril, que faz o joelho desabar para dentro nos agachamentos e na corrida
- Alterações no encaixe da patela, como patela alta ou tróclea mais rasa
- Trauma direto na frente do joelho, tipo queda de joelho no chão
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa pela história: onde dói, o que piora, há quanto tempo. Dor difusa na frente do joelho que piora ao subir escada e depois de ficar sentado já aponta para a articulação femoropatelar.
No exame físico o profissional testa a dor à compressão da patela, avalia a força do quadríceps e observa como você agacha. A ressonância magnética é o exame que mostra a cartilagem com melhor detalhe e permite classificar o grau. O raio-X não mostra cartilagem, mas ajuda a ver o alinhamento e a altura da patela.
Tratamento
O tratamento com melhor respaldo é o exercício. Fortalecer quadríceps, glúteos e musculatura do quadril reduz a sobrecarga sobre a patela e melhora a dor na maioria das pessoas, mesmo quando a imagem continua igual.
Fortalecimento
A base do tratamento. Quadríceps, glúteo médio e cadeia posterior, com progressão de carga ao longo de semanas. Os ganhos costumam aparecer entre a sexta e a décima segunda semana.
Ajuste de carga
Reduzir temporariamente agachamento profundo, escada e corrida em ladeira enquanto a dor está alta. Repouso absoluto piora: a musculatura enfraquece e o joelho tolera ainda menos.
Alívio dos sintomas
Analgesia e, em situações específicas, infiltração. São medidas que abrem espaço para a reabilitação acontecer, não substituem o fortalecimento.
Cirurgia
Exceção. Fica reservada a casos selecionados que não melhoraram com tratamento conservador bem conduzido, ou quando existe uma alteração estrutural específica a corrigir.
O que esperar da recuperação
Dor femoropatelar costuma ter idas e vindas. Semanas boas, uma semana ruim depois de um treino mais pesado, e assim por diante. Isso não significa recaída nem que o tratamento falhou.
A referência prática é a dor durante e no dia seguinte à atividade. Desconforto leve que passa em 24 horas é aceitável. Dor que aumenta ao longo da sessão ou que ainda incomoda no dia seguinte indica que a carga foi alta demais para o momento.
Os 4 graus da condromalácia
Classificação de Outerbridge, usada nos laudos de ressonância e nas cirurgias. Ela descreve a profundidade da lesão na cartilagem, não a intensidade da dor.
Grau 1 — amolecimento da cartilagem
A cartilagem perde firmeza, mas a superfície continua íntegra. Na ressonância aparece como mudança de sinal, sem falha visível. É a alteração mais inicial que o exame consegue mostrar.
Fortalecimento de quadríceps e quadril, com ajuste temporário das atividades que doem. A resposta ao tratamento conservador costuma ser boa.
Página completa sobre o grau 1 →Grau 2 — fissuras superficiais
Surgem fissuras que atingem menos da metade da espessura da cartilagem. É um dos achados mais frequentes em laudos de joelho, inclusive em pessoas que não sentem nada.
Fisioterapia estruturada por pelo menos 3 meses. A maioria das pessoas melhora sem cirurgia.
Página completa sobre o grau 2 →Grau 3 — fissuras profundas
As fissuras ultrapassam metade da espessura e chegam perto do osso, sem expô-lo. A dor tende a ser mais persistente em atividades de impacto ou carga alta.
Reabilitação mais longa, com atenção à progressão de carga. Outras opções entram na conversa caso a caso.
Página completa sobre o grau 3 →Grau 4 — exposição do osso subcondral
A cartilagem se desgastou por completo em alguma área e o osso ficou exposto. Nesse ponto o quadro se confunde com artrose femoropatelar.
Tratamento individualizado. Fortalecimento continua sendo a base, e procedimentos cirúrgicos são avaliados em casos selecionados.
Página completa sobre o grau 4 →Quando procurar avaliação
- A dor não melhora depois de 6 semanas de ajuste de carga e fortalecimento
- O joelho incha com frequência ou trava
- A dor atrapalha dormir ou caminhar distâncias curtas
Perguntas frequentes
Condromalácia tem cura?
A cartilagem tem capacidade limitada de se regenerar, então o desgaste em si costuma não voltar atrás. A dor e a função, por outro lado, melhoram bastante com fortalecimento e ajuste de carga. A maior parte das pessoas volta às atividades sem restrição, mesmo com o achado permanecendo no exame.
Posso continuar treinando com condromalácia?
Em geral sim, com adaptações. Parar tudo costuma piorar o quadro, porque a musculatura enfraquece e o joelho passa a tolerar menos. O ajuste normalmente é nos exercícios que comprimem muito a patela, como agachamento profundo e cadeira extensora com carga alta, durante a fase mais dolorosa.
Meu laudo diz condropatia patelar grau 2. É grave?
Grau 2 indica fissuras superficiais na cartilagem, um achado comum inclusive em joelhos que não doem. A gravidade não se define pelo número: depende dos sintomas, do exame físico e do quanto isso limita sua rotina.
Qual a diferença entre condromalácia e síndrome femoropatelar?
Síndrome femoropatelar é o nome dado ao quadro de dor na frente do joelho, com ou sem alteração visível na cartilagem. Condromalácia descreve especificamente a alteração da cartilagem vista no exame. Dá para ter dor femoropatelar com cartilagem normal, e o contrário também acontece.
Correr piora a condromalácia?
Corrida em si não destrói cartilagem. O que provoca dor é o salto de carga, aumentar volume ou intensidade mais rápido do que o joelho consegue se adaptar. Corredores com dor femoropatelar costumam melhorar reduzindo temporariamente o volume, aumentando a cadência e fortalecendo quadril e quadríceps.
Andar de bicicleta é bom para condromalácia?
Costuma ser bem tolerado por gerar menos impacto que a corrida. Vale atenção ao ajuste: selim muito baixo aumenta a flexão do joelho e a pressão na patela. Marcha leve com cadência mais alta em geral incomoda menos que marcha pesada.