Ligamentos

Lesão do LCP (ligamento cruzado posterior)

Estiramento ou ruptura do ligamento que impede a tíbia de escorregar para trás dentro do joelho. Dá sintomas mais discretos que o LCA, e por isso muitas vezes passa despercebido nas primeiras semanas.

Revisão: equipe editorialAtualizado: ago. de 2026Leitura: 8 min

Sintomas mais comuns

  1. 01Dor difusa atrás do joelho, difícil de apontar com o dedo
  2. 02Inchaço moderado nas primeiras horas, em geral menor que o de uma lesão de LCA
  3. 03Sensação vaga de insegurança ao descer escada ou ladeira
  4. 04Dor na frente do joelho ao ajoelhar ou agachar, que aparece meses depois

O que é o LCP

O ligamento cruzado posterior é o mais espesso e resistente dos ligamentos do joelho. Ele fica no meio da articulação, cruzado com o LCA, e trabalha para impedir que a tíbia escorregue para trás em relação ao fêmur.

Lesão do LCP é bem menos comum que a do LCA. Nos casos que chegam ao ortopedista, boa parte vem junto com outras lesões, e não isolada.

Uma diferença prática muda tudo no acompanhamento: o LCP tem alguma capacidade de cicatrizar em posição funcional, coisa que o LCA não tem. É por isso que a conduta inicial costuma ser conservadora mesmo em rupturas.

Como acontece

  • Impacto direto na frente da canela com o joelho dobrado, o mecanismo clássico de acidente de carro, quando a tíbia bate no painel
  • Queda de joelho no chão com o pé apontado para baixo, situação comum no futebol e no basquete
  • Hiperextensão forçada do joelho
  • Trauma de alta energia com luxação do joelho, em que vários ligamentos se rompem juntos

Muita gente com lesão do LCP não lembra de um episódio dramático. O joelho incha, melhora em poucas semanas e a pessoa volta à rotina achando que foi só uma torção. O diagnóstico acaba saindo meses ou anos depois, quando aparece dor na frente do joelho ou uma sensação de insegurança ao descer escada.

Como o diagnóstico é feito

O exame físico principal é o teste da gaveta posterior, com o joelho a 90 graus. O profissional também observa o degrau entre a tíbia e o fêmur com o joelho dobrado: quando o LCP falha, a tíbia afunda para trás por gravidade, o chamado sinal do afundamento.

A ressonância magnética confirma a lesão e mostra o que mais foi atingido. Ela é mais confiável na fase aguda, porque lesões antigas de LCP podem cicatrizar em posição alongada e aparecer com continuidade aparente no exame, mesmo com o joelho frouxo. Radiografias sob estresse são usadas em alguns serviços para medir a folga em milímetros.

Tratamento

Fase inicial

Controle de dor e inchaço, recuperação da extensão completa e proteção contra o afundamento da tíbia. Em graus II e III costuma ser usada uma órtese específica que empurra a tíbia para a frente.

Quadríceps em primeiro lugar

O quadríceps puxa a tíbia para a frente e compensa em parte o trabalho do LCP. Por isso o fortalecimento dele é o eixo da reabilitação. Exercícios que puxam a tíbia para trás, como a mesa flexora, são evitados nas primeiras semanas.

Cirurgia

Considerada em lesões grau III, lesões combinadas, avulsões ósseas do LCP e instabilidade que persiste depois de reabilitação bem conduzida. A técnica e o momento variam de acordo com o caso.

Acompanhamento longo

Joelhos com LCP insuficiente têm mais chance de desenvolver desgaste na articulação entre patela e fêmur e no compartimento interno ao longo dos anos. Manter força e controle de carga é parte do plano.

Tempo de recuperação

GrauRetorno esperadoO que costuma ser usado
Grau I2 a 6 semanasReabilitação, sem órtese na maior parte dos casos
Grau II3 a 4 mesesÓrtese para LCP em parte dos casos e fortalecimento do quadríceps
Grau III6 a 12 meses quando há cirurgiaAvaliação individual, investigação de lesões associadas e reabilitação prolongada

Esses prazos são referência, não promessa. Atletas de esportes de contato costumam levar mais tempo que quem só quer voltar a caminhar e treinar na academia. A decisão de liberar o retorno leva em conta força medida, controle do movimento e estabilidade no exame.

Os 3 graus da lesão do LCP

A classificação usa o quanto a tíbia escorrega para trás no teste da gaveta posterior, comparando com o degrau normal entre a tíbia e os côndilos do fêmur com o joelho a 90 graus.

Grau I — lesão parcial com folga pequena

A tíbia recua até 5 mm a mais que o lado sadio e continua à frente dos côndilos do fêmur. Parte das fibras foi estirada e o ligamento mantém a continuidade. A queixa costuma ser dor atrás do joelho, sem instabilidade.

Tratamento sem cirurgia, com controle de dor e inchaço e fortalecimento do quadríceps desde cedo. O retorno às atividades costuma acontecer entre 2 e 6 semanas.

Página completa sobre o grau i →

Quando procurar avaliação

  • O trauma foi um impacto direto na canela com o joelho dobrado, mesmo que a dor seja pequena
  • O joelho incha nas primeiras horas depois do acidente
  • A perna falseia ao mudar de direção ou ao descer degraus
  • Há dormência ou fraqueza no pé depois do trauma

Perguntas frequentes

Lesão do LCP precisa de cirurgia?

Na maioria das vezes não. Lesões isoladas de grau I e II costumam ser tratadas com reabilitação centrada no quadríceps, com bons resultados. A cirurgia é discutida em grau III, em lesões combinadas com outros ligamentos e quando a instabilidade continua atrapalhando depois do tratamento conservador.

Quanto tempo demora a recuperação do LCP?

Grau I costuma levar de 2 a 6 semanas para o retorno às atividades. Grau II fica em torno de 3 a 4 meses. Quando há cirurgia, o processo se estende de 6 a 12 meses, e a volta ao esporte depende de força recuperada, não só do tempo passado.

Dá para andar com o LCP rompido?

Em geral sim, e é justamente isso que atrasa o diagnóstico. Caminhar em linha reta exige pouco do LCP. A dificuldade aparece ao descer escada e ladeira, em desacelerações e ao agachar com carga.

Qual a diferença entre lesão do LCA e do LCP?

O LCA impede a tíbia de escorregar para a frente e costuma romper em torção sem contato, com estalo, inchaço rápido e falseio evidente. O LCP impede a tíbia de escorregar para trás, rompe por impacto direto na canela ou queda sobre o joelho dobrado e dá sintomas mais discretos.

Lesão de LCP cicatriza sozinha?

O LCP tem mais capacidade de cicatrização que o LCA, e parte das lesões parciais se recupera com folga pequena. O ponto é que a cicatrização pode acontecer com o ligamento alongado, deixando o joelho com alguma frouxidão residual mesmo sem dor.

Dor atrás do joelho é sempre lesão de ligamento?

Não. Dor atrás do joelho tem várias causas mais comuns que o LCP, como cisto de Baker, lesão de corno posterior de menisco e sobrecarga dos isquiotibiais. O que aponta para o LCP é o mecanismo do trauma somado ao exame físico.

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