Lesão do LCP (ligamento cruzado posterior)
Estiramento ou ruptura do ligamento que impede a tíbia de escorregar para trás dentro do joelho. Dá sintomas mais discretos que o LCA, e por isso muitas vezes passa despercebido nas primeiras semanas.

Sintomas mais comuns
- 01Dor difusa atrás do joelho, difícil de apontar com o dedo
- 02Inchaço moderado nas primeiras horas, em geral menor que o de uma lesão de LCA
- 03Sensação vaga de insegurança ao descer escada ou ladeira
- 04Dor na frente do joelho ao ajoelhar ou agachar, que aparece meses depois
O que é o LCP
O ligamento cruzado posterior é o mais espesso e resistente dos ligamentos do joelho. Ele fica no meio da articulação, cruzado com o LCA, e trabalha para impedir que a tíbia escorregue para trás em relação ao fêmur.
Lesão do LCP é bem menos comum que a do LCA. Nos casos que chegam ao ortopedista, boa parte vem junto com outras lesões, e não isolada.
Uma diferença prática muda tudo no acompanhamento: o LCP tem alguma capacidade de cicatrizar em posição funcional, coisa que o LCA não tem. É por isso que a conduta inicial costuma ser conservadora mesmo em rupturas.
Como acontece
- Impacto direto na frente da canela com o joelho dobrado, o mecanismo clássico de acidente de carro, quando a tíbia bate no painel
- Queda de joelho no chão com o pé apontado para baixo, situação comum no futebol e no basquete
- Hiperextensão forçada do joelho
- Trauma de alta energia com luxação do joelho, em que vários ligamentos se rompem juntos
Muita gente com lesão do LCP não lembra de um episódio dramático. O joelho incha, melhora em poucas semanas e a pessoa volta à rotina achando que foi só uma torção. O diagnóstico acaba saindo meses ou anos depois, quando aparece dor na frente do joelho ou uma sensação de insegurança ao descer escada.
Como o diagnóstico é feito
O exame físico principal é o teste da gaveta posterior, com o joelho a 90 graus. O profissional também observa o degrau entre a tíbia e o fêmur com o joelho dobrado: quando o LCP falha, a tíbia afunda para trás por gravidade, o chamado sinal do afundamento.
A ressonância magnética confirma a lesão e mostra o que mais foi atingido. Ela é mais confiável na fase aguda, porque lesões antigas de LCP podem cicatrizar em posição alongada e aparecer com continuidade aparente no exame, mesmo com o joelho frouxo. Radiografias sob estresse são usadas em alguns serviços para medir a folga em milímetros.
Tratamento
Fase inicial
Controle de dor e inchaço, recuperação da extensão completa e proteção contra o afundamento da tíbia. Em graus II e III costuma ser usada uma órtese específica que empurra a tíbia para a frente.
Quadríceps em primeiro lugar
O quadríceps puxa a tíbia para a frente e compensa em parte o trabalho do LCP. Por isso o fortalecimento dele é o eixo da reabilitação. Exercícios que puxam a tíbia para trás, como a mesa flexora, são evitados nas primeiras semanas.
Cirurgia
Considerada em lesões grau III, lesões combinadas, avulsões ósseas do LCP e instabilidade que persiste depois de reabilitação bem conduzida. A técnica e o momento variam de acordo com o caso.
Acompanhamento longo
Joelhos com LCP insuficiente têm mais chance de desenvolver desgaste na articulação entre patela e fêmur e no compartimento interno ao longo dos anos. Manter força e controle de carga é parte do plano.
Tempo de recuperação
| Grau | Retorno esperado | O que costuma ser usado |
|---|---|---|
| Grau I | 2 a 6 semanas | Reabilitação, sem órtese na maior parte dos casos |
| Grau II | 3 a 4 meses | Órtese para LCP em parte dos casos e fortalecimento do quadríceps |
| Grau III | 6 a 12 meses quando há cirurgia | Avaliação individual, investigação de lesões associadas e reabilitação prolongada |
Esses prazos são referência, não promessa. Atletas de esportes de contato costumam levar mais tempo que quem só quer voltar a caminhar e treinar na academia. A decisão de liberar o retorno leva em conta força medida, controle do movimento e estabilidade no exame.
Os 3 graus da lesão do LCP
A classificação usa o quanto a tíbia escorrega para trás no teste da gaveta posterior, comparando com o degrau normal entre a tíbia e os côndilos do fêmur com o joelho a 90 graus.
Grau I — lesão parcial com folga pequena
A tíbia recua até 5 mm a mais que o lado sadio e continua à frente dos côndilos do fêmur. Parte das fibras foi estirada e o ligamento mantém a continuidade. A queixa costuma ser dor atrás do joelho, sem instabilidade.
Tratamento sem cirurgia, com controle de dor e inchaço e fortalecimento do quadríceps desde cedo. O retorno às atividades costuma acontecer entre 2 e 6 semanas.
Página completa sobre o grau i →Grau II — ruptura com a tíbia alinhada aos côndilos
O recuo fica entre 5 e 10 mm e a tíbia chega ao mesmo nível dos côndilos femorais, sem passar deles. É a apresentação mais comum da lesão isolada do LCP.
Também costuma ser conduzida sem cirurgia, com órtese específica para LCP em parte dos casos e reabilitação centrada no quadríceps por 3 a 4 meses.
Página completa sobre o grau ii →Grau III — ruptura completa
A tíbia recua mais de 10 mm e passa a ficar atrás dos côndilos. Nesse grau é frequente que outras estruturas tenham sido atingidas, em especial o canto posterolateral do joelho.
A avaliação é individual e a cirurgia entra em discussão, sobretudo quando há lesão combinada ou instabilidade que não melhora com reabilitação. O tratamento da lesão isolada grau III ainda é controverso entre cirurgiões.
Página completa sobre o grau iii →Quando procurar avaliação
- O trauma foi um impacto direto na canela com o joelho dobrado, mesmo que a dor seja pequena
- O joelho incha nas primeiras horas depois do acidente
- A perna falseia ao mudar de direção ou ao descer degraus
- Há dormência ou fraqueza no pé depois do trauma
Perguntas frequentes
Lesão do LCP precisa de cirurgia?
Na maioria das vezes não. Lesões isoladas de grau I e II costumam ser tratadas com reabilitação centrada no quadríceps, com bons resultados. A cirurgia é discutida em grau III, em lesões combinadas com outros ligamentos e quando a instabilidade continua atrapalhando depois do tratamento conservador.
Quanto tempo demora a recuperação do LCP?
Grau I costuma levar de 2 a 6 semanas para o retorno às atividades. Grau II fica em torno de 3 a 4 meses. Quando há cirurgia, o processo se estende de 6 a 12 meses, e a volta ao esporte depende de força recuperada, não só do tempo passado.
Dá para andar com o LCP rompido?
Em geral sim, e é justamente isso que atrasa o diagnóstico. Caminhar em linha reta exige pouco do LCP. A dificuldade aparece ao descer escada e ladeira, em desacelerações e ao agachar com carga.
Qual a diferença entre lesão do LCA e do LCP?
O LCA impede a tíbia de escorregar para a frente e costuma romper em torção sem contato, com estalo, inchaço rápido e falseio evidente. O LCP impede a tíbia de escorregar para trás, rompe por impacto direto na canela ou queda sobre o joelho dobrado e dá sintomas mais discretos.
Lesão de LCP cicatriza sozinha?
O LCP tem mais capacidade de cicatrização que o LCA, e parte das lesões parciais se recupera com folga pequena. O ponto é que a cicatrização pode acontecer com o ligamento alongado, deixando o joelho com alguma frouxidão residual mesmo sem dor.
Dor atrás do joelho é sempre lesão de ligamento?
Não. Dor atrás do joelho tem várias causas mais comuns que o LCP, como cisto de Baker, lesão de corno posterior de menisco e sobrecarga dos isquiotibiais. O que aponta para o LCP é o mecanismo do trauma somado ao exame físico.