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Doença de Osgood-Schlatter

Dor e saliência dolorida logo abaixo da patela, no ponto em que o tendão patelar se prende à tíbia. Aparece em adolescentes na fase de crescimento que praticam esportes com salto e corrida.

Revisão: equipe editorialAtualizado: ago. de 2026Leitura: 6 min

Sintomas mais comuns

  1. 01Dor num ponto específico logo abaixo da patela, sobre a saliência óssea da tíbia
  2. 02Caroço firme e sensível ao toque, que pode ficar maior que o do outro lado
  3. 03Piora durante e depois de correr, saltar, agachar e ajoelhar
  4. 04Alívio com a redução do treino e volta da dor ao retomar

O que é a doença de Osgood-Schlatter

Durante o crescimento, o osso ainda tem regiões de cartilagem em atividade. Uma delas fica na tuberosidade da tíbia, o ponto onde o tendão patelar se prende ao osso, logo abaixo do joelho. Essa área é mais frágil que o tendão e que o osso maduro.

A cada salto e a cada arrancada, o quadríceps puxa o tendão patelar e esse tendão traciona a tuberosidade. Repetido muitas vezes durante o estirão de crescimento, esse puxão irrita a região e provoca dor e aumento de volume local. O nome técnico é apofisite de tração.

Apesar de chamada de doença, não é uma doença no sentido usual. É uma lesão de sobrecarga ligada ao crescimento, e se resolve quando a área de cartilagem se fecha, ao final da adolescência.

Quem costuma ter

A faixa mais comum é entre 10 e 15 anos, um pouco mais cedo em meninas e mais tarde em meninos, acompanhando a diferença no estirão de crescimento. Costuma coincidir com o período em que o adolescente cresce rápido e aumenta o volume de treino.

  • Esportes com salto e mudança de direção, como vôlei, basquete e futebol
  • Aumento de treinos no início de temporada ou em época de competição
  • Quadríceps e isquiotibiais encurtados, comuns durante o estirão
  • Em cerca de um quarto a um terço dos casos, os dois joelhos são afetados

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico e costuma ser simples: adolescente ativo, dor apontada com um dedo sobre a tuberosidade da tíbia, saliência sensível ao toque e piora com salto. Não é preciso exame de imagem na maioria dos casos.

O raio-X é solicitado quando algo foge do padrão: dor noturna, dor em repouso, febre, história de trauma importante ou quadro que não melhora. Nesses casos o objetivo é afastar outras condições, não confirmar o Osgood-Schlatter.

Tratamento

Não existe tratamento que acelere o fechamento da cartilagem de crescimento. O que se faz é manejar a dor e ajustar a carga para que o adolescente continue praticando esporte com o mínimo de interrupção.

Ajuste de carga

Reduzir saltos e sprints nas semanas de dor mais alta, em vez de parar tudo. Afastamento total costuma ser desnecessário e desmotiva o adolescente sem trazer ganho.

Gelo e analgesia

Gelo depois do treino ajuda no conforto. Medicação, quando usada, é pontual e orientada por quem acompanha o caso.

Fortalecimento e flexibilidade

Trabalho de força de quadríceps, glúteos e panturrilha, somado a alongamento de quadríceps e isquiotibiais, costuma reduzir a dor e melhorar a tolerância ao treino.

Proteção local

Joelheira acolchoada ou faixa infrapatelar ajuda quem sente muita dor ao ajoelhar ou levar pancadas na região.

O que esperar

O quadro é autolimitado. Os sintomas costumam durar de alguns meses a dois anos e desaparecem quando a cartilagem de crescimento se fecha, em geral entre 14 e 18 anos.

Uma minoria continua com incômodo na idade adulta, quase sempre por causa de um fragmento ósseo que não se uniu ao restante da tíbia. Nesses casos raros, a retirada cirúrgica do fragmento pode ser discutida depois que o crescimento terminou.

Quando procurar avaliação

  • A dor aparece em repouso ou à noite, o que não é típico do quadro
  • Há febre, vermelhidão ou inchaço importante na região
  • O adolescente perdeu força para esticar o joelho depois de um esforço súbito
  • A dor não melhora depois de alguns meses de ajuste de atividade

Perguntas frequentes

Osgood-Schlatter tem cura?

Sim. O quadro se resolve sozinho quando a cartilagem de crescimento da tíbia se fecha, o que costuma acontecer entre os 14 e os 18 anos. A saliência óssea pode continuar depois disso, sem dor e sem limitar atividade.

Meu filho precisa parar de jogar futebol por causa do Osgood-Schlatter?

Em geral não. A orientação atual é ajustar a carga, reduzindo saltos e sprints nas fases de dor mais forte, em vez de afastar por completo. Praticar com dor leve que passa depois do treino não causa dano ao osso.

Quanto tempo dura a dor do Osgood-Schlatter?

Varia bastante. O padrão mais comum é de crises que duram semanas, ligadas aos períodos de treino mais pesado, dentro de um quadro que se estende por alguns meses até cerca de dois anos.

O caroço abaixo do joelho vai sumir?

Na maioria das vezes ele diminui um pouco, mas parte da proeminência costuma permanecer para sempre. Isso não traz problema funcional. O incômodo maior costuma ser ao ajoelhar em piso duro.

Osgood-Schlatter é a mesma coisa que tendinite patelar?

Não. No Osgood-Schlatter a dor fica na tuberosidade da tíbia, mais abaixo, e ocorre em adolescentes em crescimento. A tendinopatia patelar dói na ponta de baixo da patela e é típica de adultos jovens e atletas com esqueleto já maduro.

Alongamento ajuda no Osgood-Schlatter?

Ajuda como parte do conjunto. Quadríceps e isquiotibiais costumam ficar encurtados durante o estirão de crescimento, e alongar reduz a tração sobre a tuberosidade. O resultado melhora quando o alongamento vem junto com fortalecimento e ajuste de treino.

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