Lesão do LCL (ligamento colateral lateral)
Estiramento ou ruptura do ligamento que fica na face externa do joelho e o protege contra forças que abrem a articulação para fora. É bem menos comum que a lesão do LCM e costuma vir acompanhada de outras estruturas da lateral.

Sintomas mais comuns
- 01Dor na face externa do joelho, com ponto sensível perto da cabeça da fíbula
- 02Sensação de que o joelho abre para fora ao apoiar o peso
- 03Inchaço localizado na lateral, sem o joelho inteiro ficar globoso
- 04Formigamento ou fraqueza para levantar o pé, quando o nervo fibular foi atingido
O que é o LCL
O ligamento colateral lateral é um cordão fino e resistente que vai do fêmur até a cabeça da fíbula, aquele osso menor da perna. Ele impede que o joelho abra para fora quando uma força empurra a articulação nessa direção, movimento chamado de estresse em varo.
Ele não trabalha sozinho. Junto com o tendão do poplíteo e o ligamento poplíteo-fibular, forma o que os cirurgiões chamam de canto posterolateral do joelho, responsável também por controlar a rotação da tíbia.
Lesão isolada do LCL é rara. Quando o exame mostra abertura importante na lateral, a suspeita se estende para o canto posterolateral e para os cruzados.
Por que o LCL é diferente do LCM
| LCM (lado de dentro) | LCL (lado de fora) | |
|---|---|---|
| Frequência | Lesão ligamentar mais comum do joelho | Bem menos comum, e raramente isolada |
| Cicatrização | Boa, inclusive em rupturas completas | Limitada, porque o ligamento fica mais isolado dos tecidos vizinhos |
| Ruptura completa | Tratada sem cirurgia na maior parte dos casos | Costuma ter indicação cirúrgica |
| Risco associado | Menisco medial e LCA | Canto posterolateral, cruzados e nervo fibular comum |
Como acontece
- Pancada na face interna do joelho, empurrando a articulação para fora
- Hiperextensão com rotação, comum em esportes de contato
- Torção com o pé fixo e o corpo girando para dentro
- Trauma de alta energia, como acidente de moto, em que vários ligamentos se rompem juntos
O nervo fibular comum passa logo atrás da cabeça da fíbula, coladinho na região. Em lesões graves do canto posterolateral ele pode ser estirado no mesmo trauma, e aí surgem dormência no dorso do pé e dificuldade para levantar a ponta do pé.
Diagnóstico
O teste de estresse em varo é feito com o joelho a 30 graus e repetido com o joelho esticado. Abertura com o joelho em extensão total sugere que a lesão passou do LCL. O profissional também testa a rotação da tíbia para avaliar o canto posterolateral e checa a força e a sensibilidade do pé.
A ressonância magnética mostra o ligamento, o tendão do poplíteo e as demais estruturas da lateral. Radiografias entram para procurar arrancamento ósseo na cabeça da fíbula, achado que muda o planejamento cirúrgico.
Tratamento
Lesões grau I e II isoladas respondem bem ao tratamento sem cirurgia. O rumo muda no grau III: a capacidade de cicatrização do LCL é menor que a do LCM, e a instabilidade que sobra tende a persistir.
Fase inicial
Controle de dor e inchaço, recuperação da extensão completa e apoio conforme a tolerância. Órtese articulada é usada em boa parte dos casos grau II.
Reabilitação
Força de quadríceps, isquiotibiais e glúteos, com trabalho de equilíbrio e controle de rotação. Movimentos que estressam a lateral são liberados aos poucos.
Cirurgia
Indicada com frequência no grau III e nas lesões do canto posterolateral. Reparo direto costuma ser possível nas primeiras 2 a 3 semanas; depois disso a reconstrução com enxerto passa a ser a escolha mais comum.
Lesões combinadas
Quando há LCA ou LCP junto, o planejamento trata tudo em conjunto. Reconstruir só o cruzado e deixar a lateral frouxa aumenta o risco de o enxerto falhar.
Os 3 graus da lesão do LCL
A classificação vem do teste de estresse em varo, feito com o joelho a 30 graus, comparando o quanto a articulação abre no lado machucado e no lado sadio.
Grau I — estiramento sem frouxidão
As fibras foram estiradas e o ligamento continua íntegro. A abertura no teste é menor que 5 mm em relação ao outro lado, com parada firme no fim do movimento. Dói ao apertar o trajeto do ligamento, do fêmur até a cabeça da fíbula.
Controle de dor, apoio conforme a tolerância e retorno progressivo. As atividades costumam voltar em 2 a 4 semanas.
Página completa sobre o grau i →Grau II — ruptura parcial
Parte das fibras se rompeu e a articulação abre entre 5 e 10 mm, ainda com alguma parada no fim do teste. A dor é maior e costuma haver dificuldade para girar o corpo com o pé apoiado.
Órtese articulada por algumas semanas em boa parte dos casos, com reabilitação progressiva. O retorno ao esporte costuma ficar entre 6 e 10 semanas.
Página completa sobre o grau ii →Grau III — ruptura completa
O ligamento se rompeu por inteiro, a abertura passa de 10 mm e não existe parada firme. Nesse grau é frequente que o canto posterolateral do joelho tenha sido atingido junto, o que soma instabilidade rotacional.
Diferente do LCM, o grau III do lado de fora costuma ter indicação cirúrgica, e há preferência por operar nas primeiras semanas quando possível. A decisão é individual e leva em conta as lesões associadas.
Página completa sobre o grau iii →Quando procurar avaliação
- Você sente dormência no dorso do pé ou dificuldade para levantar a ponta do pé
- O joelho abre para fora quando você apoia o peso
- A perna falseia ao caminhar em terreno irregular
- A dor veio de trauma com o joelho hiperestendido ou empurrado para fora
Perguntas frequentes
Lesão do LCL precisa de cirurgia?
Depende do grau. Graus I e II isolados costumam ser tratados com órtese e reabilitação. No grau III, a indicação cirúrgica é frequente, porque o LCL cicatriza menos que o LCM e a frouxidão residual tende a permanecer. A decisão sempre considera as lesões associadas.
Quanto tempo demora a recuperação do LCL?
Grau I costuma levar de 2 a 4 semanas e grau II de 6 a 10 semanas até a volta ao esporte. Quando há cirurgia do LCL ou do canto posterolateral, a recuperação se estende por 6 a 9 meses.
Dor na lateral do joelho é LCL ou banda iliotibial?
A dor da banda iliotibial aparece durante a corrida ou ao dobrar o joelho de forma repetida, sem trauma, e fica num ponto pouco acima da articulação. A do LCL vem de um trauma, dói ao apertar o trajeto do ligamento até a cabeça da fíbula e vem com sensação de abertura ao apoiar.
O que é o canto posterolateral do joelho?
É o conjunto formado pelo LCL, pelo tendão do poplíteo e pelo ligamento poplíteo-fibular, na parte de trás e de fora do joelho. Ele controla a abertura lateral e a rotação da tíbia. Lesão dessa região com frequência acompanha rupturas de LCL e dos ligamentos cruzados.
Lesão de LCL pode causar formigamento no pé?
Pode, quando o trauma atinge o nervo fibular comum, que passa logo atrás da cabeça da fíbula. Os sinais são dormência no dorso do pé e dificuldade para levantar a ponta do pé. Isso precisa de avaliação sem espera.