Ligamentos

Lesão do LCL (ligamento colateral lateral)

Estiramento ou ruptura do ligamento que fica na face externa do joelho e o protege contra forças que abrem a articulação para fora. É bem menos comum que a lesão do LCM e costuma vir acompanhada de outras estruturas da lateral.

Revisão: equipe editorialAtualizado: ago. de 2026Leitura: 8 min

Sintomas mais comuns

  1. 01Dor na face externa do joelho, com ponto sensível perto da cabeça da fíbula
  2. 02Sensação de que o joelho abre para fora ao apoiar o peso
  3. 03Inchaço localizado na lateral, sem o joelho inteiro ficar globoso
  4. 04Formigamento ou fraqueza para levantar o pé, quando o nervo fibular foi atingido

O que é o LCL

O ligamento colateral lateral é um cordão fino e resistente que vai do fêmur até a cabeça da fíbula, aquele osso menor da perna. Ele impede que o joelho abra para fora quando uma força empurra a articulação nessa direção, movimento chamado de estresse em varo.

Ele não trabalha sozinho. Junto com o tendão do poplíteo e o ligamento poplíteo-fibular, forma o que os cirurgiões chamam de canto posterolateral do joelho, responsável também por controlar a rotação da tíbia.

Lesão isolada do LCL é rara. Quando o exame mostra abertura importante na lateral, a suspeita se estende para o canto posterolateral e para os cruzados.

Por que o LCL é diferente do LCM

LCM (lado de dentro)LCL (lado de fora)
FrequênciaLesão ligamentar mais comum do joelhoBem menos comum, e raramente isolada
CicatrizaçãoBoa, inclusive em rupturas completasLimitada, porque o ligamento fica mais isolado dos tecidos vizinhos
Ruptura completaTratada sem cirurgia na maior parte dos casosCostuma ter indicação cirúrgica
Risco associadoMenisco medial e LCACanto posterolateral, cruzados e nervo fibular comum

Como acontece

  • Pancada na face interna do joelho, empurrando a articulação para fora
  • Hiperextensão com rotação, comum em esportes de contato
  • Torção com o pé fixo e o corpo girando para dentro
  • Trauma de alta energia, como acidente de moto, em que vários ligamentos se rompem juntos

O nervo fibular comum passa logo atrás da cabeça da fíbula, coladinho na região. Em lesões graves do canto posterolateral ele pode ser estirado no mesmo trauma, e aí surgem dormência no dorso do pé e dificuldade para levantar a ponta do pé.

Diagnóstico

O teste de estresse em varo é feito com o joelho a 30 graus e repetido com o joelho esticado. Abertura com o joelho em extensão total sugere que a lesão passou do LCL. O profissional também testa a rotação da tíbia para avaliar o canto posterolateral e checa a força e a sensibilidade do pé.

A ressonância magnética mostra o ligamento, o tendão do poplíteo e as demais estruturas da lateral. Radiografias entram para procurar arrancamento ósseo na cabeça da fíbula, achado que muda o planejamento cirúrgico.

Tratamento

Lesões grau I e II isoladas respondem bem ao tratamento sem cirurgia. O rumo muda no grau III: a capacidade de cicatrização do LCL é menor que a do LCM, e a instabilidade que sobra tende a persistir.

Fase inicial

Controle de dor e inchaço, recuperação da extensão completa e apoio conforme a tolerância. Órtese articulada é usada em boa parte dos casos grau II.

Reabilitação

Força de quadríceps, isquiotibiais e glúteos, com trabalho de equilíbrio e controle de rotação. Movimentos que estressam a lateral são liberados aos poucos.

Cirurgia

Indicada com frequência no grau III e nas lesões do canto posterolateral. Reparo direto costuma ser possível nas primeiras 2 a 3 semanas; depois disso a reconstrução com enxerto passa a ser a escolha mais comum.

Lesões combinadas

Quando há LCA ou LCP junto, o planejamento trata tudo em conjunto. Reconstruir só o cruzado e deixar a lateral frouxa aumenta o risco de o enxerto falhar.

Os 3 graus da lesão do LCL

A classificação vem do teste de estresse em varo, feito com o joelho a 30 graus, comparando o quanto a articulação abre no lado machucado e no lado sadio.

Grau I — estiramento sem frouxidão

As fibras foram estiradas e o ligamento continua íntegro. A abertura no teste é menor que 5 mm em relação ao outro lado, com parada firme no fim do movimento. Dói ao apertar o trajeto do ligamento, do fêmur até a cabeça da fíbula.

Controle de dor, apoio conforme a tolerância e retorno progressivo. As atividades costumam voltar em 2 a 4 semanas.

Página completa sobre o grau i →

Quando procurar avaliação

  • Você sente dormência no dorso do pé ou dificuldade para levantar a ponta do pé
  • O joelho abre para fora quando você apoia o peso
  • A perna falseia ao caminhar em terreno irregular
  • A dor veio de trauma com o joelho hiperestendido ou empurrado para fora

Perguntas frequentes

Lesão do LCL precisa de cirurgia?

Depende do grau. Graus I e II isolados costumam ser tratados com órtese e reabilitação. No grau III, a indicação cirúrgica é frequente, porque o LCL cicatriza menos que o LCM e a frouxidão residual tende a permanecer. A decisão sempre considera as lesões associadas.

Quanto tempo demora a recuperação do LCL?

Grau I costuma levar de 2 a 4 semanas e grau II de 6 a 10 semanas até a volta ao esporte. Quando há cirurgia do LCL ou do canto posterolateral, a recuperação se estende por 6 a 9 meses.

Dor na lateral do joelho é LCL ou banda iliotibial?

A dor da banda iliotibial aparece durante a corrida ou ao dobrar o joelho de forma repetida, sem trauma, e fica num ponto pouco acima da articulação. A do LCL vem de um trauma, dói ao apertar o trajeto do ligamento até a cabeça da fíbula e vem com sensação de abertura ao apoiar.

O que é o canto posterolateral do joelho?

É o conjunto formado pelo LCL, pelo tendão do poplíteo e pelo ligamento poplíteo-fibular, na parte de trás e de fora do joelho. Ele controla a abertura lateral e a rotação da tíbia. Lesão dessa região com frequência acompanha rupturas de LCL e dos ligamentos cruzados.

Lesão de LCL pode causar formigamento no pé?

Pode, quando o trauma atinge o nervo fibular comum, que passa logo atrás da cabeça da fíbula. Os sinais são dormência no dorso do pé e dificuldade para levantar a ponta do pé. Isso precisa de avaliação sem espera.

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